Perspectivas 2026: O Papel da China na Diplomacia Global em um Mundo Sem Trump
No cenário internacional atual, a China está se posicionando como um novo ator central na diplomacia econômica, especialmente diante do vácuo deixado pelas políticas imprevisíveis do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As decisões de Trump, que frequentemente utilizou tarifas como uma forma de pressão, permitiram que Pequim avançasse como defensora da globalização em um mundo cada vez mais polarizado.
A Ascensão da China no Comércio Global
Com o recuo dos Estados Unidos em várias frentes, a China tem aproveitado a oportunidade para estabelecer tratados de livre comércio, especialmente com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Desde 2025, Pequim já assinou 23 acordos comerciais com 30 países e está em negociações para pelo menos mais cinco. Essa estratégia não apenas fortalece a economia chinesa, mas também a posiciona como um parceiro confiável para nações em desenvolvimento que foram impactadas pelas guerras comerciais e políticas protecionistas dos EUA.
Além disso, enquanto os Estados Unidos adotam uma postura de “América em primeiro lugar”, a China está se apresentando como uma alternativa viável para países que buscam inovação e desenvolvimento sustentável. A abordagem de Pequim em relação à diplomacia econômica é fundamentada em cooperação e compartilhamento, ao contrário da pressão e das tarifas que têm sido características da administração Trump.
Inovação e Tecnologia: A Corrida pelo Futuro
A corrida tecnológica é um dos principais campos de disputa entre as potências globais, e a inteligência artificial (IA) se destaca como um dos focos centrais. Em julho de 2025, a Casa Branca lançou um plano de ação para a IA com o objetivo explícito de “vencer a corrida”. A resposta da China foi imediata, apresentando seu próprio plano com uma ênfase em colaboração internacional.
Embora o plano chinês promova a cooperação, isso não significa que Pequim tenha abandonado suas ambições de liderança. A estratégia da China é atrair países do Sul Global para adotar seu modelo de desenvolvimento tecnológico. Com investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento, a China tem se aproximado da liderança em áreas críticas, como semicondutores e biomedicina, superando os desafios impostos pelas sanções americanas.
De acordo com o Instituto Australiano de Política Estratégica, a China é atualmente líder no desenvolvimento de 90% das tecnologias críticas, uma mudança significativa em relação à última década, quando os Estados Unidos dominavam 90% desse setor. Esse “Sputnik reverso”, como foi chamado por alguns analistas, reflete uma mudança de paradigma na liderança científica global.
Desafios e Riscos da Expansão Chinesa
Apesar do avanço da China no cenário internacional, sua expansão como potência global não é isenta de riscos. A crescente influência de Pequim em questões de direitos humanos e sua postura em relação a projetos humanitários têm gerado preocupações. Relatórios recentes indicam que a China, em parceria com a Rússia, tem tentado bloquear financiamentos destinados a iniciativas de direitos humanos na ONU, o que levanta questões sobre o papel ético de Pequim no cenário global.
Além disso, a rejeição da administração Trump ao multilateralismo e a sua saída de acordos internacionais, como a COP30, proporcionaram um espaço para que a China aumentasse sua visibilidade como uma potência responsável. No entanto, a verdadeira natureza de suas intenções ainda é objeto de debate entre especialistas e ativistas.
O Futuro da Diplomacia Chinesa
Com os recuos da diplomacia americana, a China está se posicionando para ocupar o espaço deixado por Washington, mas sua abordagem será moldada por seus próprios interesses e estratégias. A iniciativa “Nova Rota da Seda” é um exemplo claro disso, onde Pequim busca estabelecer uma rede de infraestrutura e comércio que a conecte a várias regiões do mundo, especialmente na Ásia e na África.
Em suma, enquanto a China avança em sua busca por uma maior influência global, o cenário internacional continua a se adaptar às novas dinâmicas de poder. A capacidade de Pequim de se apresentar como uma alternativa viável e confiável em um mundo sem a liderança dos EUA pode redefinir as relações internacionais nas próximas décadas.
Assim, as perspectivas para 2026 e além indicam que a China não busca apenas substituir os Estados Unidos, mas sim oferecer uma nova forma de governança e cooperação global, onde suas prioridades e valores dominem a narrativa internacional.