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Um ano após facada em Jair Bolsonaro, Adélio Bispo não pode ser punido e segue internado

Em maio deste ano, a Justiça afirmou que Adélio tem Transtorno Delirante Persistente e é inimputável. Ou seja, em razão da doença mental, não pode ser punido criminalmente

A facada que o então candidato Jair Bolsonaro levou durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) completa um ano nesta sexta-feira (6). Atingido na barriga, o presidente passou por três cirurgias de lá para cá – somou, ao todo 30 dias internado. Uma quarta operação está marcada para este domingo (8).

O autor do atentado é Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou Bolsonaro na barriga no momento em que o presidenciável era carregado nos ombros de apoiadores no Centro da cidade mineira. O agressor afirmou à Polícia Federal ter agido sozinho, após ouvir o que disse ser um chamado de Deus.

Preso em flagrante no dia do crime, Adélio confessou o crime. O juiz do caso afirmou que ele tem doença mental e é inimputável, ou seja, não pode ser punido criminalmente. A prisão foi convertida em internação por tempo indeterminado. Pela decisão, o agressor deve permanecer num presídio de Campo Grande (MS).

Ele foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional. Dois dias após a facada, ocorreu a transferência de Adélio de Juiz de Fora para um presídio federal de Campo Grande (MS).

O primeiro inquérito da PF concluiu que o agressor agiu sozinho e que a motivação "foi indubitavelmente política".

Em maio deste ano, a Justiça afirmou que Adélio tem Transtorno Delirante Persistente e é inimputável. Ou seja, em razão da doença mental, não pode ser punido criminalmente.

Em junho, o juiz expediu a sentença dizendo que o autor da facada é "isento de pena" e converteu a prisão preventiva em internação por tempo indeterminado. Pela decisão, Adélio permaneceu no presídio de Campo Grande.

Um segundo inquérito foi aberto para dar continuidade às apurações e eventualmente comprovar "participação de terceiros ou grupos criminosos" no atentado. Em novo interrogatório, em agosto deste ano, Adélio Bispo reafirmou que agiu sozinho.

Em 2 de setembro, a PF pediu à Justiça a prorrogação, por mais 90 dias, desse segundo inquérito. De acordo com o delegado, a solicitação é para que a instituição consiga apurar informações sobre o advogado Zanone Júnior, que defende Adélio.

O único contato que a família teve com Adélio desde a prisão foi uma carta escrita por ele e endereçada a um sobrinho, com quem morou por um tempo e trocava mensagens em redes sociais. Na correspondência, datada de 6 de maio de 2019 e enviada do presídio de Campo Grande, Adélio manifesta o desejo de ser transferido para Montes Claros (MG), sua cidade, e diz que o "presídio é um lugar de maldições".

"Estou tentando sair daqui o quanto antes, pois esse presídio é um lugar de maldições. Um presídio projetado pela maçonaria, onde o satanismo maçom é terrível. Estão tentando me levar à loucura a qualquer custo, assim como já fizeram com muitos que passaram por aqui. Há uma conspiração bem montada para isso. Mas estou sendo firme apesar das investidas satânicas da maçonaria", escreveu.

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