Uma reportagem exibida na noite desta segunda-feira (12/03), no Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou que a Polícia Federal afirmou que um ex-executivo da Odebrecht ocultou informações na delação premiada e beneficiou o senador Ciro Nogueira, do Progressistas.

Senador Ciro Nogueira (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Segundo a reportagem, o relatório é sobre a investigação de pagamentos de propina relatados na delação de ex-executivos da Odebrecht. No documento, a Polícia Federal afirmou que os repasses destinados ao presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, foram feitos com a ajuda da Transnacional. A empresa de transporte de valores era usada por doleiros que prestavam serviços a empresas envolvidas na Lava Jato, entre elas a Odebrecht.

No documento, enviado ao ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a PF detalha os pagamentos ao senador para que ele atuasse para aprovar projetos de interesse da Odebrecht no Senado e registra o endereço de entrega que consta dos sistemas dos doleiros e da transportadora.

O delegado Albert Servio de Moura diz que no imóvel residia no ano de 2014 o filho de Lourival Ferreira Nery Júnior, assessor de Ciro Nogueira, cujo nome também figura nas sucessivas planilhas da Odebrecht.

A PF diz que R$ 6 milhões foram destinados a um grupo de parlamentares. Mas o delator Cláudio Melo decidiu repassar o valor somente a Ciro, identificado nas planilhas com o codinome Piqui.

“Cláudio Melo Filho decidiu que o dinheiro seria destinado integralmente ao parlamentar e amigo Ciro Nogueira. Tal fato - a destinação de valores a Ciro Nogueira à revelia de Marcelo Odebrecht - explica a absoluta omissão de Cláudio Melo Filho no que se refere aos 12 pagamentos do programa Piqui”.

A Polícia Federal pediu uma acareação entre Cláudio Melo Filho, Marcelo Odebrecht e Carlos Fadigas, também delatores da Odebrecht e envolvidos na liberação desses R$ 6 milhões.

A ideia é colocá-los frente a frente para saber sobre os pagamentos a Ciro Nogueira e a suspeita de omissão do delator. A decisão será do ministro Fachin.

Ciro Nogueira é investigado em outros quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Em um deles, a denúncia já foi apresentada e aguarda decisão do tribunal.

O que dizem os citados

A assessoria de Ciro Nogueira afirmou que ele confia na apuração da Justiça e que acredita que as investigações irão, mais uma vez, comprovar a inocência dele.

A defesa de Carlos Fadigas disse que não irá se manifestar.

A Odebrecht e as defesas de Cláudio Melo e de Marcelo Odebrecht não retornaram o nosso contato.

O JN não conseguiu contato com a Transnacional.

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