Impacto das Bets na Saúde Mental Custa R$ 30,6 Bilhões ao Brasil

Impacto das Apostas na Saúde Mental: Um Custo Anual de R$ 30,6 Bilhões para o Brasil

O crescimento das apostas digitais no Brasil revela um problema de saúde pública que transcende a escolha individual, gerando custos sociais que alcançam cifras bilionárias. A prática de jogos de azar, especialmente em plataformas online, é frequentemente associada a uma relação abusiva que transforma vidas em um verdadeiro caos. Este fenômeno não apenas afeta os indivíduos, mas também impacta a sociedade de maneira ampla, exigindo uma regulamentação urgente.

Apostas Online: Uma Relação Abusiva

A relação que os indivíduos estabelecem com as apostas online pode ser comparada a um relacionamento abusivo. Inicialmente, a experiência é repleta de promessas e vitórias que alimentam a esperança e o entusiasmo. Entretanto, à medida que o tempo passa, muitos apostadores se veem em um ciclo vicioso que culmina em perdas financeiras significativas e problemas emocionais profundos.

Dados recentes mostram que cerca de 66% dos usuários de apostas apresentam comportamentos de risco. Essa estatística é alarmante, especialmente entre adolescentes e pessoas de baixa renda, que representam grupos mais vulneráveis a esse tipo de vício. A falsa esperança alimentada por essas plataformas, que prometem ganhos fáceis, torna-se uma armadilha que exaure os recursos dos apostadores.

Custo Social e Financeiro das Apostas

O impacto das apostas vai além das finanças pessoais, refletindo-se em custos sociais que podem ser comparados aos efeitos nocivos do tabagismo e do consumo excessivo de álcool. A relação abusiva com jogos de azar resulta em uma série de consequências devastadoras: famílias enfrentam dificuldades financeiras, casamentos se desmoronam e a saúde mental da população se deteriora. Estima-se que o custo anual das apostas ao Brasil atinja R$ 38 bilhões, conforme o dossiê “A Saúde dos Brasileiros em Jogo”, elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps).

Os custos calculados incluem:

  • R$ 17 bilhões relacionados a mortes adicionais por suicídio;
  • R$ 10,4 bilhões devido à perda de qualidade de vida em decorrência da depressão;
  • R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para depressão;
  • R$ 30,6 bilhões em custos totais associados à saúde, que correspondem a 78,8% do total.

Em contrapartida, o Brasil arrecadou apenas R$ 6,8 bilhões em impostos provenientes do setor de apostas no último ano. A legislação atual destina apenas 1% dessa arrecadação ao Ministério da Saúde, o que é insuficiente diante dos enormes custos sociais gerados.

Uma Questão de Saúde Pública

É um equívoco pensar que o vício em apostas é um problema restrito ao indivíduo e que deve ser tratado apenas em consultórios médicos. Os transtornos de abuso, que incluem álcool, tabaco, compras, uso excessivo de telas e apostas, devem ser vistos como sintomas de uma estrutura social adoecida. A regulamentação eficaz da publicidade deste setor é uma necessidade urgente, a fim de proteger os mais vulneráveis.

Além disso, é essencial investir em campanhas de conscientização sobre os riscos associados às apostas. Um sistema de proteção deve ser implementado, permitindo o bloqueio do acesso a essas plataformas por pessoas em situações de vulnerabilidade. A destinação de recursos arrecadados com impostos para o setor da saúde também é crucial para mitigar os efeitos devastadores do vício em apostas.

Para lidar com relações abusivas, a recomendação é o contato zero com o abusador. No entanto, reconhecer que se está em uma situação de abuso é o primeiro passo, e até esse momento, é comum que a vítima seja vista como “louca” ou “descompensada”. A sociedade precisa se questionar: até quando iremos permitir essa permissividade?

O vício em apostas é um tema que merece atenção e discussão, sendo fundamental que ações efetivas sejam tomadas para proteger a saúde mental da população e garantir um ambiente social mais saudável e equilibrado.