Funai Solicita Apoio da Polícia Federal Após Assassinato em Emboscada no Pará
No dia 15 de dezembro de 2025, um incidente trágico ocorreu na Terra Indígena Apyterewa, localizada no sul do Pará, onde o vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, que trabalhava para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi assassinado em uma emboscada. A Fundação Nacional do Índio (Funai) imediatamente pediu o apoio da Polícia Federal para investigar o crime e garantir a segurança na região.
O assassinato de Marcos Antônio, de 38 anos, aconteceu enquanto ele ajudava o Ibama na operação de desintrusão, que tinha como objetivo remover aproximadamente 350 cabeças de gado de uma área invadida. Este esforço estava alinhado com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 709), ajuizada em 2020 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A ação foi proposta devido à vulnerabilidade dos povos indígenas durante a pandemia de Covid-19, quando a invasão de terras por pecuaristas e garimpeiros se intensificou.
Contexto da Emboscada
A emboscada que resultou na morte de Marcos Antônio foi parte das ações de desintrusão determinadas pelo STF, que envolvem diversos órgãos, como o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Funai, além do Ibama e da Força Nacional. A Funai informou que a segurança dos seus servidores está sendo priorizada, com a equipe se refugiando em uma de suas bases de apoio localizadas na área.
As primeiras investigações indicam que a emboscada pode ter sido perpetrada por antigos moradores da Terra Indígena que continuam a invadir a região para a criação ilegal de gado. A Funai não revelou nomes, mas expressou preocupação com a situação, ressaltando os riscos que os funcionários enfrentam enquanto tentam cumprir suas responsabilidades.
Relato da Mídia
Uma equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, esteve recentemente na Terra Indígena Apyterewa para documentar a situação e produzir um programa especial sobre a desintrusão na região. Segundo a repórter Ana Passos, Marcos Antônio foi baleado no pescoço por volta das 14h, enquanto o Ibama já havia retirado mais de 2 mil pessoas envolvidas com a pecuária e o cultivo de cacau do território.
A repórter destacou que, apesar da remoção de muitos produtores rurais, ainda existem bovinos remanescentes na área. O Ibama identificou mais de 40 pontos onde gado continua a ser encontrado. Além disso, existem relatos de invasores tentando acessar a região para manejar o gado, que frequentemente realizam ataques contra os indígenas e os agentes do governo. Um funcionário da Funai já havia sido baleado no ano anterior, evidenciando a gravidade da situação.
Os invasores adotam táticas violentas, como a queima de pontes e a colocação de obstáculos nas estradas para furar pneus de veículos oficiais. A complexidade da operação se agrava pelo fato de que muitos dos gados estão localizados em áreas de mata, que são de difícil acesso, tornando as ações de fiscalização ainda mais desafiadoras.
Ações do Ibama
Em resposta ao crime, o Ibama anunciou que já tomou as medidas necessárias para apurar a situação e identificar os responsáveis. A instituição expressou seu profundo pesar pela morte de Marcos Antônio e ofereceu apoio à família da vítima neste momento doloroso. A nota oficial do Ibama reafirmou o compromisso da instituição em proteger o meio ambiente e garantir a segurança dos trabalhadores envolvidos nas operações de desintrusão.
As operações de desintrusão são vitais para a preservação dos direitos dos povos indígenas e para a proteção das terras que historicamente pertencem a eles. A luta contra a invasão de terras tem sido uma questão recorrente no Brasil, e a tragédia que resultou na morte de Marcos Antônio é um lembrete sombrio dos riscos enfrentados por aqueles que defendem esses direitos.
Conclusão
O assassinato de Marcos Antônio Pereira da Cruz é um reflexo da tensão crescente entre os povos indígenas, o governo e os invasores de terras. As ações de desintrusão, embora necessárias, enfrentam resistência e violência. A colaboração entre órgãos governamentais e a Polícia Federal será crucial para garantir a segurança na região e proteger os direitos dos povos indígenas, além de assegurar que tragédias como essa não se repitam.