Filme premiado ‘O Último Azul’ explora o sentido da vida
Estreando nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2025, ‘O Último Azul’ é um longa-metragem brasileiro que vem chamando a atenção por sua abordagem inovadora sobre a velhice. Dirigido por Gabriel Mascaro, o filme conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim e, mais recentemente, foi exibido no Festival de Gramado, onde foi recebido com entusiasmo pelo público.
Uma narrativa singular sobre a velhice
O filme apresenta uma perspectiva diferente sobre o envelhecimento, fugindo dos clichês comuns que geralmente envolvem a temática da finitude. Segundo o diretor, ‘O Último Azul’ não se concentra apenas nos aspectos de despedida da vida ou na nostalgia associada ao envelhecimento. Ao contrário, a obra explora a vitalidade e o orgulho de envelhecer, mostrando que, mesmo em idades mais avançadas, ainda existe um pulsar de vida.
Rodrigo Santoro e Denise Weinberg estrelam o filme, e a performance de Denise é destacada como uma manifestação poderosa desse desejo de viver e se reinventar na terceira idade. Mascaro enfatiza que a mensagem do filme é simples, mas essencial: “Nunca é tarde para encontrar um novo sentido para a vida”.
Direção e humor em meio à reflexão
Uma das cenas marcantes do filme ocorre com uma briga de peixes Betta, que serve como uma metáfora visual para a ambivalência entre beleza e violência. Ao ser questionado sobre como foi dirigir esses seres marinhos, Mascaro não hesitou em brincar, lembrando que já havia dirigido boi em seu filme anterior, ‘Boi Neon’ (2015). Ele explicou que a cena dos peixes foi realizada com uma combinação de técnicas, incluindo efeitos especiais, para ilustrar essa dualidade.
A exibição em Gramado trouxe um clima festivo, destacando o momento positivo que o cinema brasileiro vive atualmente, com diversas produções sendo reconhecidas em festivais internacionais.
Impacto da natureza e o cenário amazônico
O filme é ambientado na Amazônia, que não é apenas um cenário, mas também um personagem importante na narrativa. Santoro mencionou que o maior desafio de interpretar seu personagem, Cadu, com poucas cenas, foi fazer com que ele já existisse de forma palpável ao entrar em cena. A conexão com a natureza foi fundamental para a construção de seu personagem, e ele teve que se desconectar do ritmo acelerado da vida moderna para se sintonizar com a tranquilidade da região.
A presença da Amazônia como cenário contribuiu significativamente para a performance dos atores e para a atmosfera do filme. Denise Weinberg destacou que estar em meio à natureza e com personagens tão ricos foi uma verdadeira bênção e uma experiência transformadora.
A importância de novas narrativas no cinema brasileiro
Gabriel Mascaro, ao falar sobre o filme, expressou seu desejo de promover um encontro entre o cinema nordestino e o cinema do Norte do Brasil. Ele elogiou a qualidade do elenco local, que trouxe uma nova dinâmica à produção. “Estamos em um momento em que é crucial abrir espaço para vozes e histórias do Norte”, afirmou o diretor, ressaltando a importância de descentralizar a lógica de produção cinematográfica no país.
A participação de Santoro, embora breve, é considerada essencial para a compreensão da jornada da protagonista. Ele reflete sobre a singularidade de seu personagem, que enfrenta a dor da distância de seu amor, uma narrativa que não é frequentemente explorada na representação masculina no cinema.
Conclusão: Uma obra que ressoa com o público
‘O Último Azul’ não é apenas um filme sobre a velhice, mas sim uma celebração da vida em todas as suas fases. Através de uma narrativa sensível e provocativa, o filme convida o público a refletir sobre suas próprias experiências e a redescobrir o valor de cada momento vivido. A obra de Gabriel Mascaro promete ressoar profundamente com aqueles que buscam entender a complexidade da existência humana e a beleza de envelhecer com dignidade.