Carla Zambelli renuncia ao mandato de deputada federal
A deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo, anunciou sua renúncia ao cargo na Câmara dos Deputados neste domingo, 14 de dezembro de 2025. A decisão foi formalizada através de uma comunicação enviada à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, que informou que o presidente da Casa, Hugo Motta, convocará o suplente, deputado Adilson Barroso, para tomar posse. A renúncia ocorre em meio a um cenário de grande tensão política e judicial envolvendo a parlamentar.
Desde julho, Zambelli se encontra detida na Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação em atividades ilícitas, incluindo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A condenação resultou em uma pena de 10 anos de prisão, uma decisão que gerou repercussão significativa no cenário político brasileiro.
Contexto da renúncia
A renúncia de Carla Zambelli foi motivada por uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia determinado que seu suplente deveria assumir a cadeira na Câmara em 48 horas. A decisão gerou um debate acalorado sobre a legitimidade do mandato de Zambelli, que se licenciou de suas funções entre os meses de maio e outubro, acumulando faltas que poderiam levar à perda do mandato de acordo com a Constituição, que prevê a perda em casos de ausência a um terço das sessões anuais.
Embora a Câmara dos Deputados tenha inicialmente mantido o mandato de Zambelli, a estratégia de renunciar parece ter sido uma tentativa de reforçar a narrativa de que a parlamentar é uma vítima de perseguição política. Essa narrativa foi utilizada para angariar apoio entre seus seguidores, alegando injustiças perpetradas pelo sistema judicial, especialmente por parte do ministro Moraes.
Desdobramentos legais e políticos
A condenação de Zambelli pelo STF ocorreu no âmbito de um processo que investigava a invasão de sistemas do CNJ, com a Primeira Turma do STF decidindo pela perda do mandato da deputada em junho. Após essa decisão, a Câmara foi pressionada a analisar o caso por parte da oposição, o que levou à deliberação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Após meses de análise, a CCJ deu seu parecer favorável à perda do mandato. Contudo, a votação no plenário não conseguiu alcançar os votos necessários para a cassação, o que levou o ministro Alexandre de Moraes a considerar o ato da Câmara como nulo e a determinar a perda imediata do mandato, além de fixar o prazo de 48 horas para a posse do suplente.
Essa situação gerou um cenário de incertezas e debates intensos no Congresso, onde a polarização política continua a ser um fator divisor. A decisão do STF foi confirmada por unanimidade na Primeira Turma e comunicada oficialmente à Câmara na sexta-feira, 12 de dezembro.
Implicações futuras
A saída de Carla Zambelli da Câmara dos Deputados pode ter consequências significativas para sua base de apoio e para a dinâmica política do PL, partido ao qual pertence. A renúncia pode ser vista como um movimento estratégico para preservar a imagem política da deputada, que busca se apresentar como uma figura perseguida em um ambiente político hostil.
Além disso, a convocação do suplente Adilson Barroso indica uma continuidade da representação do PL na Câmara, mas também levanta questões sobre como a base de Zambelli reagirá a essa transição e quais serão os próximos passos da parlamentar em sua luta judicial e política.
Enquanto isso, a situação de Zambelli continua a ser acompanhada de perto pela mídia e pela opinião pública, que observa os desdobramentos de um caso que exemplifica as tensões entre os poderes Legislativo e Judiciário no Brasil atual.