Tomar paracetamol na gravidez não causa autismo, confirma estudo robusto
Uma nova revisão publicada pelo periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women’s Health trouxe à tona evidências que desmentem a ideia de que o uso de paracetamol durante a gravidez aumenta o risco de autismo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou deficiências intelectuais nas crianças. Este estudo representa uma contribuição significativa para a discussão sobre a segurança do paracetamol durante a gestação, reafirmando que o medicamento é seguro quando utilizado conforme indicado.
Resultados do Estudo
A revisão sistemática, que analisou 43 estudos, foi considerada uma das mais rigorosas até o momento. A metodologia utilizada incluiu comparações entre irmãos, o que ajuda a controlar fatores genéticos e ambientais que poderiam influenciar os resultados. Os pesquisadores constataram que não há evidências que liguem o uso do paracetamol a distúrbios do neurodesenvolvimento.
Fatores de Risco Identificados
Os principais fatores de risco associados ao autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento incluem:
- Predisposição genética;
- Idade avançada dos pais;
- Complicações durante a gestação e o parto;
- Infecções maternas, especialmente aquelas acompanhadas de febre alta;
- Condições maternas, como diabetes gestacional mal controlado e obesidade.
Interpretação dos Dados
Os autores do estudo enfatizam que muitos dos estudos anteriores que associavam o paracetamol a distúrbios do neurodesenvolvimento eram observacionais e apresentavam viés. Esses estudos frequentemente se baseavam em dados autorrelatados, que podem não ser precisos. Além disso, as análises observacionais não conseguem estabelecer relações de causalidade, apenas correlações.
A nova revisão priorizou estudos que utilizavam metodologias mais robustas, como a comparação entre irmãos, que fornece evidências mais confiáveis. Os dados coletados indicam que não existe associação entre a exposição ao paracetamol durante a gravidez e o desenvolvimento de transtornos como o autismo.
A Importância do Tratamento Durante a Gravidez
Os pesquisadores ressaltam que o paracetamol é uma opção segura para gestantes que enfrentam dores, febre ou infecções. Ignorar o tratamento dessas condições pode representar um risco maior à saúde do feto do que o uso do medicamento em si. A dor e a febre não tratadas podem ser fatores de risco conhecidos para alterações no neurodesenvolvimento.
Além disso, é importante que as gestantes recebam informações precisas e estejam sempre acompanhadas por profissionais de saúde que sigam as diretrizes de segurança recomendadas por entidades de saúde nacionais e internacionais. O paracetamol, amplamente estudado, é considerado seguro quando utilizado conforme as orientações médicas.
Conclusão
Em resumo, o estudo publicado no The Lancet oferece tranquilidade para gestantes e profissionais de saúde quanto à segurança do uso do paracetamol durante a gravidez. Ao abordar questões complexas como o autismo e o TDAH, é crucial lembrar que essas condições são multifatoriais, e não podem ser atribuídas a um único fator, como o uso de medicamentos. O acompanhamento médico adequado e a comunicação clara sobre os riscos e benefícios dos tratamentos são essenciais para garantir a saúde da mãe e do bebê.