Joinville Zera Mortes por Dengue: Uma Análise dos Métodos e Resultados
Joinville, uma das principais cidades do estado de Santa Catarina, alcançou um marco significativo ao zerar o número de mortes por dengue no ano de 2025. Após registrar 83 óbitos pela doença em 2024, a cidade conseguiu, de forma impressionante, evitar qualquer fatalidade decorrente da dengue no ano seguinte. Esse feito notável pode ser atribuído a uma combinação de ações estratégicas e à implementação do Método Wolbachia, entre outras campanhas de saúde pública.
A Queda Drástica nos Casos de Dengue
Os dados são alarmantes: em um ano, Joinville viu a redução do número de casos de dengue saltar de 80.232 em 2024 para apenas 1.016 em 2025, o que representa uma diminuição de 98%. Essa diminuição substancial foi resultado de um esforço concentrado da Secretaria da Saúde, que não apenas implementou o Método Wolbachia, mas também lançou campanhas contínuas de conscientização e prevenção.
O Método Wolbachia e seu Impacto
A diretora de Vigilâncias da Secretaria da Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann, destacou que a soma de todas as ações adotadas foi crucial para alcançar esse resultado positivo. O Método Wolbachia, que utiliza uma bactéria para reduzir a capacidade do mosquito Aedes aegypti de transmitir a dengue, tem mostrado resultados promissores. Embora a avaliação completa dos dados só seja divulgada após dois anos de implementação, a Secretaria já observa um impacto significativo na população de mosquitos.
“Apesar de não termos concluído a segunda fase, já temos uma população de mosquitos estabelecida que não transmite a doença. Isso faz toda a diferença”, afirmou Maria Cristina.
Monitoramento e Limpeza Contínua
A redução dos casos de dengue em Joinville também pode ser atribuída ao monitoramento constante e às operações de limpeza realizadas para eliminar focos de reprodução do mosquito. As campanhas educativas e a conscientização da população sobre a importância da prevenção têm sido fundamentais. É vital que a comunidade continue a manter cuidados para evitar novos focos, como a eliminação de água parada em recipientes.
Vacinação como Aliada na Prevenção
A vacinação também se mostrou um aliado importante na luta contra a dengue. Em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a distribuição e aplicação da vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica Takeda. Além disso, em novembro de 2025, foi apresentada uma nova vacina, o Butantan DV, que é o primeiro imunizante contra a dengue totalmente desenvolvido no Brasil. As primeiras doses começaram a ser distribuídas ao Sistema Único de Saúde (SUS), com a campanha de vacinação programada para iniciar em janeiro de 2026 em algumas cidades selecionadas.
Resultados em Santa Catarina e Fatores Contribuintes
Os resultados em Joinville refletem uma tendência observada em todo o estado de Santa Catarina. Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de dengue em Santa Catarina caíram de 323.525 em 2024 para 18.274 em 2025, com o número de mortes reduzido de 341 para 22. Especialistas apontam diversos fatores que contribuíram para essa queda, incluindo uma mudança no regime de chuvas e a presença de subtipos de dengue que já circulavam na população, conferindo imunidade a muitos que já haviam contraído a doença anteriormente.
O superintendente de Vigilância em Saúde da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado, Fábio Gaudenzi, ressaltou que o período de verão de 2025 foi menos chuvoso, o que impactou diretamente a população de Aedes aegypti. “A presença de subtipos de dengue que já circulavam na população também ajudou, pois aqueles que já contraíram a doença não são reinfectados, o que naturalmente diminui o número de novos casos”, explicou Gaudenzi.
Conclusão
O sucesso de Joinville na erradicação das mortes por dengue é um exemplo de como a combinação de métodos inovadores, campanhas de saúde pública e a colaboração da comunidade podem resultar em melhorias significativas na saúde pública. A continuidade desse trabalho é essencial para garantir que esses avanços sejam sustentáveis no longo prazo e que a população permaneça segura contra a dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.