Candidato apoiado por Trump é eleito presidente de Honduras após atrasos na apuração e forte pressão política
Nasry Asfura, do Partido Nacional, foi eleito presidente de Honduras em um processo eleitoral marcado por intensas controvérsias e atrasos significativos na apuração dos votos. Com 40,2% dos votos, Asfura venceu Salvador Nasralla por uma margem mínima, enquanto a oposição denunciou o que classificou como um “golpe eleitoral”. A proclamada vitória de Asfura foi anunciada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que gerou protestos e questionamentos sobre a legitimidade do resultado.
Contexto da Eleição
A eleição presidencial, realizada em 30 de novembro de 2025, se destacou por sua tumultuada apuração. A contagem dos votos enfrentou diversos atrasos devido a problemas técnicos e disputas internas dentro do CNE, o que resultou em um clima de incerteza e tensão política no país. O processo eleitoral foi caracterizado por uma forte polarização, com a presença de apoio externo, principalmente do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manifestou seu respaldo a Asfura antes mesmo da votação, chamando-o de “o único amigo verdadeiro da liberdade em Honduras”.
A Proclamação do Vencedor
Após um longo e conturbado processo, o CNE declarou Asfura como o presidente eleito, mas a decisão não foi unânime. Com 99,9% das cédulas apuradas, Asfura e Nasralla estavam em uma disputa acirrada, com diferença inferior a 1%. A necessidade de recontagem manual de cerca de 15% das atas eleitorais, devido a falhas no sistema de apuração, gerou ainda mais incertezas. A recontagem, que deveria ter iniciado em 13 de dezembro, foi constantemente adiada por entraves logísticos e problemas técnicos, exacerbando a tensão entre os partidos.
Reações à Eleição
A reação à proclamação de Asfura foi imediata. O conselheiro Marlon Ochoa, ligado ao partido governista LIBRE, rejeitou a decisão e alegou que a declaração de um vencedor violava a legalidade do processo eleitoral. Ele se comprometeu a denunciar a situação ao Ministério Público, chamando o ocorrido de “golpe de Estado eleitoral”. Por outro lado, Ana Paola Hall, presidente do CNE, e Cossette López, uma das conselheiras, defenderam a decisão, afirmando que o órgão estava sendo alvo de ataques por cumprir sua função constitucional.
Protestos e Acusações de Fraude
A tensão política se intensificou com a mobilização de apoiadores do partido LIBRE, que acusaram o CNE de ignorar irregularidades e de ter cometido fraudes em larga escala. Salvador Nasralla, que havia liderado a contagem preliminar em alguns momentos, afirmou que a proclamação de Asfura era uma “grave traição à vontade popular”. Ele denunciou que o CNE se recusou a revisar cerca de 10 mil urnas que, segundo ele, continham mais de 2 milhões de votos. Para Nasralla, a falta de uma revisão minuciosa representava uma violação da lei e um ataque à democracia hondurenha.
Interferências Externas e Pressão Diplomática
O processo eleitoral em Honduras também foi marcado por interferências externas significativas. Donald Trump não apenas apoiou abertamente Asfura, mas também fez ameaças de cortar o auxílio financeiro dos Estados Unidos a Honduras caso o candidato conservador não fosse eleito. Durante a apuração, Trump alegou haver fraude, embora não tenha apresentado provas concretas. A pressão diplomática dos Estados Unidos aumentou à medida que o processo se arrastava, com Washington alertando sobre “consequências” para aqueles que obstruíssem o trabalho do CNE.
A Confirmação do Resultado e o Futuro de Honduras
Após a confirmação de sua vitória, Asfura se declarou pronto para governar e expressou seu agradecimento ao CNE em uma mensagem nas redes sociais. Ele afirmou: “Honduras, estou preparado para governar. Não vou decepcioná-los”. Contudo, sua mensagem não conseguiu dissipar as acusações de ilegitimidade, que continuam a pairar sobre uma das eleições mais conturbadas da história recente do país.
O cenário político em Honduras permanece extremamente tenso, e as consequências da eleição de Asfura, assim como as reações da oposição e da comunidade internacional, deverão ser observadas atentamente nos próximos meses.